Liturgia de 12 de fevereiro de 2024

SEGUNDA-FEIRA DA VI SEMANA DO TEMPO COMUM

 (verde - ofício do dia)

 

Antífona da entrada

- Sede para mim um Deus protetor e um lugar de refúgio, para me salvar. Porque sois minha força e meu refúgio e, por causa do vosso nome, me guiais e sustentais (Sl 30,3s).

 

Coleta

- Ó Deus, que prometeis permanecer nos corações sinceros e retos e sinceros, concedei-nos, por vossa graça, viver de tal maneira, que possais habitar em nós. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e conosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

 

1ª Leitura: Tg 1,1-11

- Início da carta de são Tiago: 1Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos que vivem na dispersão: Saudações. 2Meus irmãos, quando deveis passar por diversas provações, considerai isso motivo de grande alegria, 3por saberdes que a comprovação da fé produz em vós a perseverança. 4Mas é preciso que a perseverança gere uma obra de perfeição, para que vos torneis perfeitos e íntegros, sem falta ou deficiência alguma.
5Se a alguém de vós falta sabedoria, peça-a a Deus, que a concede generosamente a todos, sem impor condições; e ela lhe será dada. 6Mas peça com fé, sem duvidar, porque aquele que duvida é semelhante a uma onda do mar, impelida e agitada pelo vento. 7Não pense tal pessoa que receberá alguma coisa do Senhor: 8o homem de duas almas é inconstante em todos os seus caminhos. 9O irmão humilde pode ufanar-se de sua exaltação, 10mas o rico deve gloriar-se de sua humilhação. Pois há de passar como a flor da erva. 11Com efeito, basta que surja o sol com o seu calor, logo seca a erva, cai a sua flor, e desaparece a beleza do seu aspecto. Assim também acabará por murchar o rico no meio de seus negócios.

 

- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 119,67.68.71.72.75.76 (R: 77a)

 

- Venha a mim o vosso amor e viverei.
R: Venha a mim o vosso amor e viverei.


- Antes de ser por vós provado, eu me perdera; mas agora sigo firme em vossa lei!

R: Venha a mim o vosso amor e viverei.


- Porque sois bom e realizais somente o bem, ensinai-me a fazer vossa vontade!

R: Venha a mim o vosso amor e viverei.


- Para mim foi muito bom ser humilhado, porque assim eu aprendi vossa vontade!

R: Venha a mim o vosso amor e viverei.


- A lei de vossa boca, para mim, vale mais do que milhões em ouro e prata.

R: Venha a mim o vosso amor e viverei.


- Sei que os vossos julgamentos são corretos e com justiça me provastes, ó Senhor!

R: Venha a mim o vosso amor e viverei.


- Vosso amor seja um consolo para mim, conforme a vosso servo prometestes.

R: Venha a mim o vosso amor e viverei.

 

Aclamação ao santo Evangelho.

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

- Sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai, senão por mim

(Jo 14,6).

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos: Mc 8,11-13


- O Senhor esteja convosco.

- Ele está no meio de nós.

 

- Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.

- Glória a vós, Senhor!

 

- Naquele tempo, 11os fariseus vieram e começaram a discutir com Jesus. E, para pô-lo à prova, pediam-lhe um sinal do céu.12 Mas Jesus deu um suspiro profundo e disse: "Por que esta gente pede um sinal? Em verdade vos digo, a esta gente não será dado nenhum sinal". 13E, deixando-os, Jesus entrou de novo na barca e foi para a margem oposta.

 

- Palavra da salvação.

- Glória a vós, Senhor!

 

 

Liturgia comentada

Pediam-lhe um sinal do céu... (Mc 8,11-13)

Jesus de Nazaré, o Filho de Deus nascido de Mulher, acaba de multiplicar os pães pela segunda vez, alimentando quatro mil pessoas. Logo antes, tinha curado um surdo-mudo. Mais atrás, expulsara o demônio da garotinha da mãe siro-fenícia. Quer dizer, ele domina os maus espíritos, tem poderes terapêuticos acima da normalidade humana, controla a matéria a ponto de multiplicá-la. Não chegam estes sinais de sua divindade?

 

Não. Não chegam. Para quem não tem fé – ou a possui tão frágil que precisa ser alimentada por “sinais” a todo tempo – nunca teremos sinais suficientes. É assim que multidões se aglomeram diante da notícia de uma fonte que cura, do sol que gira no céu, da imagem que está sangrando, e por aí afora...

 

Não estou afirmando que todas as aparições e fenômenos supranormais são falsos, ainda que a maior parte deles se explique por desequilíbrios mentais, alucinações coletivas e, infelizmente, fraudes com as mais variadas intenções. Aliás, isso mesmo justifica a extrema prudência da Igreja em confirmar tais fenômenos. Estou afirmando que uma fé sólida não depende de tais sinais, mas está radicada nos Evangelhos, no testemunho dos apóstolos, no magistério eclesial, nas legítimas tradições.

 

Por que tanta sede por sinais? Curiosidade? Gosto pelo espetáculo? Busca de emoções? Talvez, mas acima de tudo a falta de fé. Paradoxal que seja, não precisa de milagres como argumentos contra os “outros” aquele que tem, no sacrário, o maior de todos os milagres: a Presença real de Jesus Cristo na hóstia consagrada, uma presença renovada em cada celebração eucarística.

 

No caso dos fariseus vulpinos deste Evangelho, a motivação deles é ainda mais sórdida: eles estão pondo Jesus à prova. Tal como fizera Satã nas tentações do deserto: “Se és os Filho de Deus...” Más intenções semelhantes costumam povoar os “fiéis” que imaginam Deus como alguém que lhe deve favores, uma prateleira de supermercado para oferecer-lhes mercadoria, um fornecedor sempre pronto a milagres e benesses. Como se não bastasse o grande “favor” distribuído no Calvário.

 

Sim, Dom Bosco retirava da sacola, distribuindo a seus “pivetes”, uma quantidade de nozes que aquela sacolinha não podia conter. Padre Pio della Pietrelcina esteve em dois lugares ao mesmo tempo. O Cura d’Ars “lia” os pecados que os penitentes ocultavam no confessionário. Tudo bem. Mas nossa fé não pode depender destas “Fioretti”. Na verdade, aquela se mostra mais forte quando estas faltam...

 

Ao exigir sinais, tornamos nossa fé inútil. Afinal, para que precisamos da fé se já podemos ver?

 

Orai sem cessar:Creio, Senhor, mas aumenta a minha fé” (Mc 9,24)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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