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O JOIO NO MEIO DO TRIGO (Mt 13, 36-43)

O JOIO NO MEIO DO TRIGO (Mt 13, 36-43)[1]

27 de junho de 2010

O CAMPO É O MUNDO

Todas as religiões e as filosofias se colocam o problema da origem do mal. As fábulas, que remontam geralmente a tradições literárias antiqüíssimas, professam um dualismo original. Duas forças, dois poderes e dois tipos de homens combatem-se reciprocamente, mas não se sabem qual é a sua origem. Porém, afirma-se, com otimismo, que os bons são mais fortes e, no final, vencem sempre. A Bíblia, ao contrário, não admite o dualismo. Existe um só Deus, criador do céu e da terra, e tudo o que existe é bom (Gn 1, 4ss). O mal veio no mundo através do homem, do seu livre consentimento. Mas, consentimento a quê? No paraíso, insinua-se a serpente. No coração humano, que é o paraíso interior, chega a serpente sob a forma de maus pensamentos.

Temos muitas inspirações: as que vêm de Deus são boa semente; as más são perturbações, a cizânia. Com o nosso consentimento, tanto as primeiras como as segundas, podem criar raízes no chão do nosso coração.

O JOIO É OS FILHOS DO MALIGNO

O mal entra no coração com um pensamento mau. Vêm-nos tantos pensamentos, mas nem todos são maus. Muitos conduzem ao bem. Como distingui-los?

Os autores falam de "discernimento dos espíritos", partindo do princípio que o homem possa ser influenciado também por aquilo que ultrapassa a realidade visível, um mundo sobrenatural onde se dá uma luta entre o bem e o mal. Os Padres do deserto egípcio fixam princípios de discernimento tirados da sua própria experiência. O primeiro é que aquilo que perturba e tira a paz vem do maligno; Deus dá somente a paz à alma. Evágrio relaciona oito pensamentos maus que, depois, se tornarão os sete vícios capitais.

O escopo dos Padres é ensinar ao homem a distinguir o bem do mal e a dar-se conta de onde eles se originam.

O INIMIGO QUE SEMEOU O JOIO É O DIABO

Os maus pensamentos, dizem os Padres, chegam improvisamente e, justamente, quando estamos fragilizados, pais dispostos a ceder. É preciso ser continuamente vigilantes.

Desta atenção falam os seguidores do assim chamado movimento hesicasta, que consideram a paz interior condição necessária para rezar sem distrações. De modo metafórico, dizem que à porta do nosso coração devemos colocar um anjo com a espada de fogo, isto é, a virtude da vigilância, o qual pergunte a cada pensamento e a cada inspiração que deseja entrar: "És dos nossos ou do inimigo?" (Js 5, 13). Também Orígenes dá um conselho semelhante: matar os filhos da Babilônia quando são ainda pequenos (Sl 137, 9), destruir as sementes de joio antes que crie raízes.

O contrário da vigilância espiritual é a negligência para com aquilo que contamina o nosso coração: somente um coração puro pode ver a Deus (Mt 5, 8).

Convido todos a rezarem comigo esta oração que saiu do meu coração:

Jesus, meu Semeador querido, estás fazendo de mim, cada dia mais, uma boa semente. Uma semente capaz de conter em si uma imensa possibilidade de vida. Semeaste-me no mundo. Não naquele mundo do qual dissestes que não rezarias. Tu me semeaste no mundo capaz de converter-se, no mundo a ser salvo através do que contribuir para "eu completar na minha carne o que faltou à Tua paixão". Tu me dás o convencimento de que eu e aqueles eu me deste somos "a boa semente", porque "pertencemos ao Reino". Reino que és Tu mesmo, Senhor. Pertencemos a Ti.

Faze de todos nós, juntos, uma imensa seara de boas sementes, que os mais não conseguem apreciar porque não Te conhecem, e, por isso, muito menos ainda nos reconhecerão!

Obrigada, Senhor, porque nos queres juntos, amarelando – como um lindo trigal – o mundo a ser salvo pela Tua ação salvadora prolongada na nossa "humanidade de acréscimo"!

Dá-nos, Te pedimos, a graça de sabermos conviver com os que "pertencem ao Maligno", sem omitirmos a verdade na caridade, nem deixando de amá-los com o verdadeiro amor, sem nunca desistir de lhes fazer o bem!

Perdoa, Senhor, "todos os que praticam o mal e fazem outros pecar"! Como Tu, no alto da cruz intercedeste junto ao Pai, peço-Te: "Perdoa-os! Eles não sabem o que fazem!".

 

 



[1] Traduzi de IL VANGELO DI OGNI GIORNO, III Tempo "per annum" 1 – Tomás Spidlík – LIPA EDIZIONI – 2004 – pág. 236-238