"NÃO COMO CARNE ASSADA, MAS COMO UM PÃO QUE É COZIDO"
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"NÃO COMO CARNE ASSADA, MAS COMO UM PÃO QUE É COZIDO"
Sempre me empolgou a vida dos mártires da fé. O martírio, ou melhor, o desejo de dar a vida pela fé, por Deus, pela Igreja, pelas coisas que acredito é um desejo permanente no meu coração. Quem dera eu fosse digna de ver realizado esse desejo! Quem dera me fosse dada essa graça! Seria sonhar demais? Pensamentos de auto- glorificação, auto-exaltação? Deus me livre de tudo o que não for por Sua graça e vontade! Terei a coragem na hora H? Se for pela graça de Deus, SIM. Se for por um simples impulso humano, característico de um temperamento colérico, não iria muito longe; ou melhor, nem iria ao encontro de martírio algum.
Por que estou me expondo tanto assim? Motivada pelo santo que hoje comemoramos: São Policarpo (* 70? - +155/156).
Condenado a morrer numa fogueira, assim escreveu sobre ele outro santo mártir, Santo Inácio de Antioquia: "o bom pastor da fé inabalável, o forte atleta em defesa da causa de Cristo".
Algumas atitudes de Policarpo nos devem encantar e servir como estímulo na nossa luta em defesa da sã doutrina, dos princípios evangélicos, dos valores do Reino do Céu. Em primeiro lugar, pediu não ser amarrado ao poste pelos algozes, dizendo-lhes: "Deixai-me livre! Quem me dá forças para suportar o fogo, também me concederá que fique imóvel no meio das chamas sem necessitar do vosso cuidado". E apenas amarraram suas mãos para trás.
Lição para mim e para todos nós quando nos acharmos no meio do fogo da incompreensão e da rejeição e dos ataques pelo que somos e pelo modo como vivemos. Felizes quando permanecermos firmes na "fogueira", quando nos dispensarmos de "postes". Estes eram usados para que, amarrados a eles, os condenados não pudessem fugir do fogo. Não será o nosso caso, como não foi o caso de Policarpo, como não foi o caso de Jesus. Não foram os pregos que "seguraram" Jesus na cruz como que para não deixá-lo "fugir", senão o Seu único foco: a fidelidade ao Pai e à Sua missão de Salvador e Redentor da humanidade. Numa palavra; O AMOR INCONDICIONAL AO PAI E A NÓS.
Outras atitudes de Policarpo que me encantam: a mansidão, a aceitação do desígnio de Deus, a convicção da "sua" hora, da hora do seu "cálice", expressas nas palavras dos seus filhos espirituais que testemunharam o seu martírio: "Ele estava no meio [da fogueira], não como carne assada, mas como um pão que é cozido ou o ouro e a prata incandescente na fornalha".
Temos, sim, uma grande oportunidade de nos deixarmos cozer como pão no martírio de cada dia: talvez do silêncio, quando gostaríamos de falar ou gritar "todas", da procura daquele que nos ofendeu de qualquer forma e busca da reconciliação, de um gesto de caridade que custa ao nosso comodismo e egoísmo... Sobretudo, o martírio do dever de cada dia feito com alegria, boa vontade e seriedade. Quantos pães poderemos colocar sobre o altar de cada Missa, ao lado da hóstia (vítima) a serem consagrados e a nos convencer de que "ISTO É O MEU CORPO"... "ESTE É O CÁLICE". Que a oferenda de nós mesmos, como pães a serem comidos e sangue a ser derramado pelo próximo de cada dia, vendo em cada um o Senhor, seja o nosso pequenino e simples martírio agradável a Ele!
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(Hoje estarei pregando pela Internet na Rádio Gospa Mira, rádio on line, às 14 horas: www.gospamira.com.br)
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