TRECHOS DE ENSINAMENTO SOBRE CARISMA E NOVAS COMUNIDADES
AUTOR – Mons. Stanislaw Rylko
TRADUÇÃO LIVRE – Amma M. Ângela de Melo Nicolleti
FONTE – I movimenti ecclesiali nella sollecitudine pastorale dei vescovi - Pontificium Consilium Pro Laicis - Libreria Editrice Vaticana |
Os elementos constitutivos destas novas realidades eclesiais são:
O CARISMA ORIGINÁRIO
A PESSOA DO FUNDADOR
A COMUNIDADE
O CARISMA ORIGINÁRIO
O carisma é a fonte da força espiritual e do caráter de novidade de todo Movimento. O carisma original outra coisa não é senão, no fundo, uma nova expressão do seguimento de Cristo e da participação na missão da Igreja.
O Papa descreve a dinâmica do agir do carisma nas pessoas e nas Comunidades em Christefidelis Laici 24.
Dado para o bem de toda a Igreja, o carisma tem um caráter universal: fascina, atrai, envolve pessoas diferentes pela cultura, pelas tradições, por idade. Apesar do fato de que os Movimentos Eclesiais tenham caráter laical, isso não cabe apenas aos fiéis leigos. O que lhe é específico está não somente na capacidade de ser "coletivo", isto é, de reunir pessoas (como é o caso do carisma das Congregações Religiosas), mas na capacidade de reunir, na mesma Comunidade, membros que, na Igreja, respondem a vocações diversas e pertencem a diversos estados de vida: leigos, sacerdotes, pessoas consagradas.
Enfim, o carisma, enquanto dom do Espírito Santo, traz sempre consigo uma novidade de vida que surpreende. Impossível de ser previsto e programado, chega-nos sempre como dom gratuito que cabe a nós acolher.
Assim se expressa o Papa: "SEMPRE, QUANDO INTERVÉM, O ESPÍRITO DEIXA ESTUPEFATO, SUSCITA EVENTOS CUJA NOVIDADE ATORDOA; MUDA, RADICALMENTE, AS PESSOAS E A HISTÓRIA".
A PESSOA DO FUNDADOR
Na comunicação do carisma, o fundador tem um papel insubstituível, que João Paulo II explica nestes termos: A PASSAGEM DO CARISMA ORIGINAL PARA O MOVIMENTO ACONTECE POR UMA MISTERIOSA ATRAÇÃO EXERCIDA PELO FUNDADOR SOBRE QUANTOS SE DEIXAM ENVOLVER NA SUA EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL".
O fundador é o ponto-chave da vida de todo Movimento, porque é portador do carisma original do qual ele nasceu e do qual vive.
Descobrindo ele mesmo, gradualmente, as várias dimensões de tal carisma, pouco a pouco o fundador indica as metas a alcançar e define métodos e estruturas organizativas. Da particular posição do fundador brotam a sua paternidade espiritual e a autoridade – única no seu gênero – que ele exerce com relação aos membros do Movimento. E entre eles há leigos, homens e mulheres, mas também sacerdotes e pessoas consagradas.
A COMUNIDADE
No interior dos Movimentos – onde, sobre a base do carisma original, nascem verdadeiras Comunidades de pessoas – a experiência da vida comunitária é muito profunda. E é uma experiência que exerce uma atração muito forte, numa sociedade como a nossa, caracterizada pela massificação, pelo anonimato, pela despersonalização das relações sociais, pela fragmentação da personalidade.
Estas dificuldades não poupam nem mesmo muitas das nossas Paróquias e, no seu seio, se verifica fortemente a exigência de uma vida comunitária mais intensa. Todavia, a dimensão comunitária, embora importante, não está entre as suas maiores motivações de pertença ao Movimento. Segundo o Cardeal Ratzinger (hoje, Bento XVI), o que se busca numa tal pertença é, sobretudo, "O CRISTIANISMO INTEGRAL, A IGREJA QUE, OBEDIENTE AO EVANGELHO, VIVA O EVANGELHO", a Igreja, como espaço no qual se viva de modo pleno e coerente a vocação cristã que jorra do próprio Batismo, como modalidade de efetiva participação na missão da mesma.
Diferentemente de outras agremiações de fiéis, os Movimentos Eclesiais constituem, portanto, uma proposta totalizante que abraça todas as dimensões da existência do cristão. |