Liturgia de 18 de maio de 2024

MISSA DA VIGÍLIA

SABADO - À TARDE OU À NOITE

(vermelho, glória, sequência na missa do dia, creio, pref. próprio - ofício da solenidade)

 

Antífona

- O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo seu Espírito que habita em nós, aleluia! (Rm 5,5; 10,11)

 

Coleta

- Deus eterno e todo-poderoso, quisestes que o mistério pascal fosse celebrado durante cinquenta dias. Fazei, nós vos pedimos, que pela graça do céu as diferentes línguas dos povos dispersos se unam no louvor do vosso nome. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e conosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

 

1ª Leitura: Gn 11,1-9

- Leitura do livro do Gênesis - 1Toda a terra tinha uma só linguagem, e servia-se das mesmas palavras. 2Alguns homens, partindo para o oriente, encontraram na terra de Senaar uma planície onde se estabeleceram. 3E disseram uns aos outros: "Vamos, façamos tijolos e cozamo-los no fogo." Serviram-se de tijolos em vez de pedras, e de betume em lugar de argamassa. 4Depois disseram: "Vamos, façamos para nós uma cidade e uma torre cujo cimo atinja os céus. Tornemos assim célebre o nosso nome, para que não sejamos dispersos pela face de toda a terra." 5Mas o senhor desceu para ver a cidade e a torre que construíram os filhos dos homens. 6"Eis que são um só povo, disse ele, e falam uma só língua: se começam assim, nada futuramente os impedirá de executarem todos os seus empreendimentos. 7Vamos: desçamos para lhes confundir a linguagem, de sorte que já não se compreendam um ao outro." 8Foi dali que o Senhor os dispersou daquele lugar pela face de toda a terra, e cessaram a construção da cidade. 9Por isso deram-lhe o nome de Babel, porque ali que o Senhor confundiu a linguagem de todo o mundo, e daí os dispersou os homens por toda a terra.

 

- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 104,1ab.24ac.29bc-30.31.34 (R: 30)

 

- Enviai o vosso Espírito, Senhor, e da terra toda a face renovai!
R: Enviai o vosso Espírito, Senhor, e da terra toda a face renovai!


- Bendize, ó minha alma, ao Senhor! Ó meu Deus e meu Senhor, como sois grande! Quão numerosas, ó Senhor, são vossas obras! Encheu-se a terra com as vossas criaturas!

R: Enviai o vosso Espírito, Senhor, e da terra toda a face renovai!


- Quão numerosas, ó Senhor, são vossas obras, e que sabedoria em todas elas. Encheu-se a terra com vossas criaturas. Bendize, ó minha alma, ao Senhor!

R: Enviai o vosso Espírito, Senhor, e da terra toda a face renovai!

 

- Todos eles, ó Senhor, de vos esperam que a seu tempo vós lhes deis o alimento; vós lhes dai o que comer, e eles recolhem, vós abris a vossa mão, e eles se fartam.

R: Enviai o vosso Espírito, Senhor, e da terra toda a face renovai!

 

- Se tirais o seu respiro, eles perecem/ e voltam para o pó de onde vieram. / Enviais o vosso espírito e renascem/ e da terra toda a face renovais.

R: Enviai o vosso Espírito, Senhor, e da terra toda a face renovai!


2ª Leitura: Rm 8,22-27


- Leitura da carta de são Paulo aos Romanos - Irmãos 22 sabemos que toda a criação, até o tempo presente, está gemendo como que em dores de parto.23   E não somente ela, mas nós também, que temos os primeiros frutos do Espírito, estamos interiormente gemendo, aguardando a adoção filial e a libertação para o nosso corpo. 24Porque pela esperança é que fomos salvos. Ora, ver o objeto da esperança já não é esperança; porque o que alguém vê, como é que ainda o espera? 25Nós que esperamos o que não vemos, é em paciência que o aguardamos. 26Outrossim, o Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza; porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis. 27E aquele que perscruta os corações sabe o que deseja o Espírito, o qual intercede pelos santos, segundo Deus.

 

- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus.

 

Aclamação ao santo Evangelho.

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

- Vinde, Espírito divino, e enchei com vossos dons os corações dos fiéis; e acendei neles o amor como um fogo abrasador! 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo João: Jo 7,37-39


- O Senhor esteja convosco.

- Ele está no meio de nós.

 

- Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo João.

 

- Glória a vós, Senhor!

- 37No último dia da festa, o dia mais solene, estava Jesus de pé e clamava: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. 38Quem crê em mim, conforme diz a Escritura, rios de água viva jorraram do seu interior (Zc 14,8; Is 58,11). 39Jesus falava do Espírito, que deviam de receber os que tivessem fé nele, pois ainda não tinha sido dado o Espírito, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado.

 

- Palavra da salvação.

- Glória a vós, Senhor!

 

 

 

Liturgia comentada

Rios de água viva... (Jo 7,37-39)

A Igreja celebra hoje a Vigília de Pentecostes, quando o Espírito de Deus foi derramado sobre a Igreja nascente, conforme fora prometido por Jesus. O Evangelho escolhido recorda uma antecipação dessa mesma promessa, ainda no início de seu ministério: Jesus utiliza uma das figuras bíblicas para simbolizar o Espírito de Deus: a ÁGUA VIVA, a correnteza que se opõe à água “morta”, ou seja, às águas paradas de um poço.

 

“Se alguém tiver sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura: ‘do seu interior manarão rios de água viva’ (Zc 14,8; Is 58,11). Dizia isto referindo-se ao Espírito que haviam de receber os que cressem nele, pois ainda não fora dado o Espírito, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado”. Só depois de sua “glorificação” – elevado na cruz do Calvário para espanto e admiração de toda a Criação – Jesus poderia dizer: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu Espírito...” E então, Este ficaria disponível para todos nós.

 

Todos os símbolos do Espírito Santo são móveis, dinâmicos, como a sua própria atividade no mundo: o VENTO, que sopra onde quer; o FOGO, cuja chamas estão sempre em movimento; a POMBA, que corta os ares em voo vertiginoso; o ÓLEO, que escorre da barba de Aarão; e, naturalmente, as correntes de água que atravessam o deserto, formando rios temporários nos “uadis” saarianos cf. Is 35,6).

 

O episódio deste Evangelho se enquadra na celebração da Festa das Tendas. O 8º dia era dominado pelas preces que pediam chuvas abundantes em uma região árida. Nos dias anteriores, desciam toda manhã até a fonte de Siloé, levando na mão direita uma laranja ou uma cidra, e na esquerda ramos de murta ou de vime ainda verde. Um sacerdote derramava água em uma jarra, que depois seria derramada diante do altar do Templo, enquanto os levitas entoavam os salmos do Hallel. Como pano de fundo, o gesto de Moisés, que fez as águas jorrarem do rochedo.

 

Ora, ali estava Jesus, o verdadeiro Rochedo, do qual brotam as águas vivas do Espírito. Só ele podia dizer “Com alegria tirareis água das fontes da salvação” (Is 12,3). E mais: “Venham a mim e bebam!” É da pessoa de Jesus que recebemos o Espírito que pairou sobre ele nas águas do Jordão (Jo 1,32.34; Mt 3,16), o mesmo Espírito que pairava sobre as águas na véspera da Criação (cf. Gn 1,2). Com sua morte e ressurreição, Jesus rompeu as barreiras rochosas da incredulidade que nos impediam de mergulhar nas correntezas do Pai.

 

Lavados pelo Espírito, ungidos por ele, impelidos e abrasados, nós somos a Igreja que o Espírito orienta para o encontro final com o Pai (cf. Ap 22,17).

 

Orai sem cessar: “Derramarei água sobre a terra seca...” (Is 44,3)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.