Liturgia de 14 de dezembro de 2023

QUINTA FEIRA - SÃO JOÃO DA CRUZ PRESBÍTERO E DOUTOR DA IGREJA.
(branco, pref. do Advento I ou dos pastores - ofício da memória)

 

Antífona da entrada 

- Quanto a mim, que eu me glorie somente da cruz de nosso Senhor, Jesus Cristo. Por ele, o mundo está crucificado para mim, como eu estou crucificado para o mundo (Gl 6,14).

 

Coleta 

- Ó Deus, que destes ao presbítero são João da Cruz total desapego de si mesmo e ardente amor a cruz, concedei que, imitando sempre o seu exemplo, cheguemos à contemplação eterna da vossa glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus conosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

 

1ª Leitura: Is 41,13-20

- Leitura do livro do profeta Isaías: 13Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tomo pela mão e te digo: “Não temas; venho em teu socorro. 14Não tenhas medo, Jacó, pobre verme, não temais, homens de Israel. Eu vos ajudarei”, diz o Senhor e Salvador, o Santo de Israel. 15Eis que te transformei num carro novo de triturar, guarnecido de dentes de serra. Hás de triturar e despedaçar os montes, e reduzirás as colinas a poeira. 16Ao expô-los ao vento, o vento os levará e o temporal os dispersará; exultarás no Senhor e te alegrarás no Santo de Israel. 17Pobres e necessitados procuram água, mas não há, estão com a língua seca de sede. Eu, o Senhor, os atenderei, eu, Deus de Israel, não os abandonarei. 18Farei nascer rios nas colinas escalvadas e fontes no meio dos vales; transformarei o deserto em lagos e a terra seca em nascentes d’água. 19Plantarei no deserto o cedro, a acácia a murta e a oliveira; crescerão no ermo o pinheiro, o olmo e o cipreste juntamente, 20para que os homens vejam e saibam, considerem e compreendam que a mão do Senhor fez essas coisas e o Santo de Israel tudo criou.

 

- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus.

 

 

Salmo Responsorial: Sl 145,1.9.10-11.12-13ab (R: 8)

 

- Misericórdia e piedade é o Senhor! Ele é amor, é paciência, é compaixão!
R: Misericórdia e piedade é o Senhor! Ele é amor, é paciência, é compaixão!


- Ó meu Deus, quero exaltar-vos, ó meu Rei, e bendizer o vosso nome pelos séculos. O Senhor é muito bom para com todos, sua ternura abraça toda criatura.

R: Misericórdia e piedade é o Senhor! Ele é amor, é paciência, é compaixão!


- Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos com louvores vos bendigam! Narrem a glória e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar vosso poder!

R: Misericórdia e piedade é o Senhor! Ele é amor, é paciência, é compaixão!


- Para espalhar vossos prodígios entre os homens e o fulgor de vosso reino esplendoroso. O vosso reino é um reino para sempre, vosso poder, de geração em geração.

R: Misericórdia e piedade é o Senhor! Ele é amor, é paciência, é compaixão!

 

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

 - Que os céus, lá do alto, derramem o orvalho, que chova das nuvens o justo esperado, que a terra se abra e germine o Senhor! (Is 45,8)

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 11,11-15


- O Senhor esteja convosco.

- Ele está no meio de nós.

 

- Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus.

- Glória a vós, Senhor!

 

- Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 11“Em verdade eu vos digo, de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior do que João Batista. No entanto, o menor no Reino dos Céus é maior do que ele. 12Desde os dias de João Batista até agora, o Reino dos Céus sofre violência, e são os violentos que o conquistam. 13Com efeito, todos os Profetas e a Lei profetizaram até João. 14E se quereis aceitar, ele é o Elias que há de vir. 15Quem tem ouvidos, ouça”.

 

- Palavra da salvação.

- Glória a vós, Senhor!

 

 

Liturgia comentada

Não surgiu quem fosse maior... (Mt 11,11-15)

Este Evangelho nos fala de João Batista, o precursor [em grego, pródromos, isto é, “o que corre na frente”]. E esta avaliação direta que ele mereceu de Jesus de Nazaré é realmente um elogio notável, pois o coloca muito acima de todos os patriarcas e profetas da Primeira Aliança.

 

E qual será a razão deste elogio excepcional? Até onde posso ver, trata-se de sua escolha para ser a “voz imediata” no anúncio do Reino que se avizinhava na pessoa do Messias, Jesus Cristo. Cheio do Espírito Santo desde o ventre materno (Lc 1,44), cumpriria sua missão ao preço da própria vida.

 

E isto me faz pensar que não temos dada a devida consideração nem o devido valor às pessoas que também assumem a mesma missão: ser uma voz que anuncia o Senhor. Ao mesmo tempo, ajuda a compreender por que os tiranos de todos os quadrantes, de todas as épocas, se apressam a calar as vozes que repetem o Evangelho...

 

Hoje, no deserto das grandes cidades, somos chamados a assumir missão semelhante à do Batizador. Quem nos fala sobre isso é o Bispo do Saara argelino, Claude Rault:

 

“Nossa vocação é a de ser como João Batista: traçadores de estradas, humildes caminheiros do Bom Deus! O Batista tem consciência disso: ele abre a estrada para aquele que vem depois dele, ele caminha por um Outro. Isto exige fidelidade, confiança e gratuidade nas relações. Assim se traça um caminho, e outros continuarão a assumi-lo. Invisível, Jesus pisa sobre nossos passos.

 

João Batista traça um caminho, ele é um caminheiro cujas passadas acabam por nos deixar uma trilha. É a figura que ainda hoje nos inspira. A seu modo, somos chamados a deixar uma esteira na vida deste mundo, como estradeiros infatigáveis. A rota que deixamos atrás de nós será tomada por outros. É isto que fazemos no grande deserto da vida...”

 

Mas o mesmo profeta nos deixa outra importante lição: apagar-se, distanciar-se, sair do foco. Quando cercam João Batista, inquirindo-o se seria o Messias esperado, ele não só o nega, mas se põe em segundo plano: “Não sou digno de lhe desamarrar as sandálias”. E arremata o lema que devemos assumir nas missões da Igreja: “Importa que ele (Jesus) cresça, e eu diminua...”

 

O arauto corre o risco permanente de se confundir com o Rei. Sua missão é apenas tocar a trombeta e perder-se na multidão que espera pelo Senhor.

 

Orai sem cessar: “Quero ensinar teus caminhos aos que erram... (Sl 51,15)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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