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Título: CONSELHOS GERAIS PARA VIVER A CASTIDADE

AUTORIA – Pe. Marcelo Bravo, L.C.
TRADUÇÃO LIVRE – Ammá Maria Ângela de Melo Nicolleti
FONTE – www.es.catholic.net
http://es.catholic.net/catholic_db/imagenes_db/la_iglesia_hoy/jovenes.jpg 

Há algumas semanas, publiquei em "VIRTUDES E VALORES" uma reflexão muito simples e breve sobre a pureza.

Pediram-me para tratar mais deste tema. No presente artigo, pretendo desenvolver um pouco mais as essas idéias, sempre de modo esquemático, para poder compreender, valorizar e viver esta virtude tão estranha, porém tão bonita quando se vive "no cristianismo", isto é, segundo seu verdadeiro sentido, sem caricaturas nem deformações.

A castidade é um dos votos que os religiosos e os consagrados professam dentro da Igreja, além dos votos de pobreza e obediência. Com estes votos, os religiosos e consagrados (sacerdotes, irmãos, monges, leigos consagrados) expressam, publicamente, que querem ser totalmente de Deus e que estão dispostos – por causa do Reino dos Céus – a renunciar às três dimensões fundamentais da existência humana como são: o desejo de perpetuar-se numa família, agir de forma autônoma e independente, e possuir bens próprios.

Sem dúvida, estes votos são entendidos somente à luz de Cristo e da novidade de vida que Cristo nos veio trazer. Jesus Cristo é o religioso por excelência: Ele está totalmente dedicado – consagrado – às coisas do Pai e Seu único desejo é que Deus seja conhecido, amado e louvado pelos homens, sem nada possuir, sem outro desejo que não seja o Reino de Deus.

Pois bem, a castidade não é somente um voto, isto é, uma promessa solene. A castidade é uma realidade que diz respeito a todos os homens e mulheres, porque é a virtude que regula o uso adequado e responsável da sexualidade e da afetividade. E isto toca a todos nós. Um religioso viverá esta virtude num modo concreto e segundo algumas exigências diferentes das do solteiro ou das pessoas unidas em matrimônio. Porém, todos nós estamos chamados a exercitar-nos na virtude da castidade.

Existe uma castidade do religioso, uma castidade do solteiro e uma castidade do casado. Os conselhos que ofereceremos a seguir valem, em maior ou menor medida, para todos. Toca a cada um fazer a adaptação para a própria vida.

Os conselhos gerais para viver a castidade são cindo: ordem, consciência, apreço, incentivo e cuidado. Expressarei os conselhos do modo mais esquemático possível.

PRIMEIRO CONSELHO: A ORDEM

Para viver a castidade – tanto no celibato (solteiros) como no matrimônio – é necessário a ordem na própria vida.
Há diversos tipos de ordem:

1) A ORDEM TEOLÓGICA

Primeiro Deus, depois as criaturas.
O mandamento de amar a Deus sobre todas as coisas é dirigido a todos os homens e não somente aos religiosos.
O amor a Deus há de ser a principal preocupação da vida. Isto significa não antepor nada ao amor de Deus.
A vontade de Deus está antes da minha própria vontade. O plano de Deus sobre minha vida, antes dos meus planos pessoais: primeiro as coisas de Deus, depois as minhas. Primeiro Deus e depois os amigos. Primeiro o domingo e depois os demais dias da semana. Viver constantemente na Sua presença, buscando pequenos, mas significativos atos de amor a Deus. No fundo, a vida de todo homem é uma busca de Deus.

2) A ORDEM VERTICAL

Primeiro o céu, depois a terra. Portanto, temos que aspirar ao céu com todo o coração, com toda a alma e com todas as forças.
Por culpa do marxismo, do consumismo e de outras ideologias terrenas, nos esquecemos de pensar no céu como uma realidade certa que nos espera. Estamos demasiado preocupados por nosso êxito temporal, demasiados ocupados com compromissos mundanos, demasiados comprometidos com afazeres meramente circunstanciais, queremos a todo custo desfrutar desta terra... e nos esquecemos de que esta vida é apenas um prelúdio da vida verdadeira.

A vida é um ponto no meio da eternidade. Isto não significa depreciar as coisas boas que oferece a vida, mas "ordenar" tudo ao céu, que é o nosso único destino. Fomos criados para o céu. A castidade somente é entendida à luz da eternidade.
Há uma expressão latina que diz: "Quid hoc ad aeternitatem?", "O que é isso tudo em comparação com a eternidade?" Que são os prazeres indignos e momentâneos à luz da eternidade?
Conclusão: "Somente Deus é Deus. Os demais são 'os de menos'".

3) A ORDEM TEMPORAL

É necessário ter uma ordem no uso do nosso tempo. Te muitas coisas interessantes para fazer: oração, trabalho, descanso merecido, comidas, interesses pessoais... A ociosidade é a mãe de todos os vícios e nossa sociedade atual é especialista em oferecer toda classe de saídas frívolas e raquíticas para a ociosidade.

Concretamente, se for necessário entrar na internet, que seja somente para o que se tem que fazer e não ficar "navegando" para ver "quem vou encontrar", perdendo miseravelmente o tempo e pondo em risco a castidade. Além disso, esta vida é para construir algo que possamos levar além, ao céu. Empenhemos nossa vida, não em vaidades e caprichos efêmeros, quanto menos no pecado e em coisas desenfreadas, mas em grandes projetos ao serviço dos demais.

4) A ORDEM INTERIOR

A pessoa humana é um espírito encarnado, é uma espécie muito estranha na criação. Não é um anjo, porém tão pouco é um animal. É um ser "multidimensional": tem razão e vontade, liberdade, sentimentos, potencialidades e paixões, etc. Nesta diversidade humana há uma hierarquia, uma ordem nessas dimensões.
Em primeiro lugar, como dimensão diretora, está a razão iluminada e instruída pela fé. A razão deve reger todas as demais paixões e potencialidades.

A virtude da castidade é uma disposição da vontade que nos leva a agir segundo os ditames da razão quanto ao uso ordenado das potencialidades sexuais e afetivas. A castidade não significa, em primeiro lugar, repressão, mas sim "promoção ordenada" e "moderação racional". E é a razão, aberta à vontade de Deus, que indica quando se tem que avançar e quando se tem que moderar.

5) A ORDEM AFETIVA

Se o primeiro mandamento é amar a Deus, este deve se unir ao "amor ao próximo como a si mesmo". Pois bem, também há uma ordem no "amor ao próximo". Há uma ordem quanto às pessoas e uma ordem quanto às manifestações do amor.
Em primeiro lugar, devo amar àqueles que estão mais próximos de mim: minha família, minha esposa e meus filhos (se sou casado), meus pais, meus amigos, etc.

Em segundo lugar, meu afeto deve se reger por esta ordem: as manifestações de amor entre esposos são específicas e diferem quanto ao modo nas manifestações de amor entre irmãos e entre amigos.
Esta ordem deve se estabelecer também com relação ao estado de vida que se escolheu: se sou sacerdote, meu trato com as pessoas será marcado pela consagração que fiz de minha vida e de meu corpo ao único amor de Cristo, e o mesmo acontece com uma religiosa.

Quem está casado tem que se comportar com as pessoas de outro sexo, não como quem está procurando um par, ou como que, deseja "arrebentar corações", mas como quem está comprometido com um amor exclusivo que há de durar a vida toda.

O jovem deve se comportar com sua noiva de um modo diferente que o marido com sua esposa, precisamente porque é noivo e não esposo.

SEGUNDO CONSELHO: CONSCIÊNCIA

Temos que saber o que é bom e o que é mau, "chamar ao pão pão e ao vinho vinho", e estar convencidos de que seguir a consciência retamente formada é o melhor para nós. A consciência é um farol que ilumina a vida. Pode ser que nem sempre eu tenha a força para segui-la, porém o farol estará sempre ali me avisando do que devo fazer, e exigindo de mim fidelidade. No cultivo da virtude da castidade isto é essencial.
 
Por causa das modas imperantes e da moral sem freio que se impõem como ideal de vida, sentimos em nosso coração a dificuldade de viver a castidade. Esta dificuldade real pode nos levar a considerar que não vale a pena lutar, que é melhor viver "feliz" segundo os critérios do mundo que seguir a um Deus desconhecido que nos "impõe" reprimir nossos impulsos espontâneos. Isto, a paixão nos pode levar a justificar os atos desordenados. Isto é, a paixão nos pode levar a justificar os atos desordenados. É aqui que a consciência tem que ser farol e dizer o que é bom e o que não é bom. Enquanto não se corrompa a consciência, sempre é possível corrigir e se superar.

Aqui temos que se muito honestos: Conheço a lei moral? Conheço o que é que Deus me pede como solteiro? Quero seguir minha consciência ou prefiro amordaçá-la, enganando-me a mim mesmo com sofismas? É preciso recordar aqui o adágio: "Aquele que vive como pensa, termina pensando como vive", isto é, se trairmos a voz da consciência – que não é senão a voz de Deus que fala no interior – acabaremos por justificar o injustificável, fazendo passar até "um camelo pelo buraco de uma agulha" (Mt 19, 24).

Para formar a consciência, há que se recorrer aos mestres que realmente nos possam instruir na verdade. Os meios de comunicação – grandes formadores (ou deformadores) da opinião pública – não são, na maioria dos casos, bons conselheiros. Recorramos, antes, a pessoas instruídas e sensatas que podem nos ajudar, corrigir-nos, dizer-nos as coisas claras, sem "dourar a pílula". Recorramos, sobretudo, à Palavra de Deus. Repitamos muitas vezes o Salmo 119: "Lâmpada é Tua palavra para meus passos, luz no meu caminho".

TERCEIRO CONSELHO: APREÇO

1) APREÇO PELA VIRTUDE EM GERAL

Vivemos numa sociedade de mínimos: Qual é o mínimo tenho que fazer para me divertir sem pecar? Qual é o mínimo que tenho que fazer para fazer o que me dá vontade de fazer sem trair a consciência? Não.

O Cristianismo não pode viver de mínimos. Muitas vezes, na sociedade civil nos podemos reger pela moral do mínimo: Quanto é o mínimo que tenho que pagar de impostos? Nunca farei declaração de renda, dizendo: "Olha, dou-lhe mais do que me pede porque vejo que é necessário para tapar os buracos da rua". Ao contrário, ajo assim: se tenho que trabalhar seis horas ao dia, trabalho seis e chega! Isto é o mínimo que tenho que fazer.

Isto pode valer para a sociedade civil. Porém, não vale para quem se declara discípulo de Jesus Cristo. Vejamos Seu exemplo: Cristo não fez o mínimo para nos salvar; se o tivesse feito teria sido um redentor bastante raquítico. Não. Pelo contrário, Ele entregou todo Seu sangue por cada um de nós. No Evangelho de São João está escrito: "Tendo amado os Seus, amou-os até o extremo" (Jo 13, 1). E esse extremo foi a paixão, a cruz, a morte e a ressurreição. O modelo do cristão – e seu caminho de verdadeira felicidade – é Cristo e não o "light" cavalheiro que passa a vida desfrutando dela...

2) APREÇO PELA VIRTUDE DA CASTIDADE

A castidade é uma virtude austera que exige renúncia e, enquanto tal é difícil de praticar. A muitos parece impossível vivê-la e, inclusive, parece nociva. Porém, temos que nos fixar na dimensão positiva da castidade, isto é: a entrega do coração a Jesus Cristo e ordenado ao exercício da sexualidade. Enquanto cristão – solteiro, casado e, tanto mais, religioso ou sacerdote – meu coração pertence a Cristo. Enquanto homem pleno, devo submeter minha paixão sexual ao império da razão, pois é mais homem quem controla suas paixões do que aquele que se deixa dominar por elas.

Apreciar a virtude da castidade é vê-la como um ideal pelo qual vale a pena lutar: quer eu tenha a intenção de me casar, o ideal de poder chegar ao matrimônio com um coração limpo, que soube ser fiel ao amor de sua vida e que saberei no matrimônio subordinar o sexo ao amor espiritual, quer opte pela castidade "pelo Reino dos céus" (Mt 19, 12), quer seja, inclusive no caso de que alguém não consiga se casar e se veja obrigado a viver em castidade por várias razões.  Neste caso, é necessário "fazer da necessidade uma virtude", isto é, o não poder se casar não é o pior mal da vida, que conduziria o celibatário fatalmente à perda do sentido da vida, ao fracasso e à frustração existencial. Isto não é assim. Se Cristo e Maria, Sua Mãe castíssima, viveram o ideal da virgindade, seria um absurdo crer que a castidade é uma desgraça na vida. Tantos santos, tantos homens de bem optaram livremente ou por causa das circunstâncias, por viver a castidade e sua vida foi um caminho de plena realização.

3) APREÇO PELA BELEZA DO AMOR HUMANO

Quem vive a castidade pelo Reino dos céus não o faz por esporte ou porque tenham uma visão negativa do amor humano. O religioso ou a consagrada não deixaram algo mau (o matrimônio e o que ele implica) por algo bom (a castidade em si mesma, considerada como fim e não como meio). Não. Viver a castidade consagrada é renunciar a algo bom e santo pelo melhor: o amor e a doação totala Jesus Cristo.

O uso da sexualidade dentro do matrimônio não é um pecado, mas foi criado por Deus para que duas pessoas possam se manifestar o amor na doação íntima do próprio corpo, e abertos à chegada dos filhos. A virtude da castidade leva os esposos a fazerem do ato conjugal um autêntico ato de caridade sobrenatural. Se uma pessoa vivesse a castidade como rejeição e desprezo pela dimensão sexual do amor, não seria uma pessoa virtuosa, mas ao contrário.

QUARTO CONSELHO: FOMENTO

Se, realmente tenho apreço sincero por algo, busco incrementá-lo. Se tiver um negócio que me está dando ganho, invisto para que me dê mais ganho.

Não o abandono, não me despreocupo dele. É a alei do êxito de uma empresa. O mesmo se passa com a castidade. Disse que a castidade é uma virtude não somente para os religiosos ou as monjas (que se comprometem sob voto público), mas para todos cristão, para todo ser humano digno, seja celibatário ou casado.

Fomentar a castidade é promover tudo o que seja a consideração da beleza do amor. Que significa isso?

1) ENCHER O CORAÇÃO DE NOBRES IDEAIS
Desejar ser como Cristo – como disse São Pedro – "que passou fazendo o bem" (At 10, 38). Que mais posso fazer? Esta há de ser nossa pergunta cotidiana.

2) ESCOLHER LEITURAS QUE NOS AJUDEM A VIVER A VIRTUDE

Não se trata d ler apenas livros sobre a castidade, mas de ler muito sobre a vida cristã, sobretudo a leitura da vida de santos, que é um estímulo. Lendo as cidas dos santos sentimos como nosso coração se enche de desejos de imitação, pois eles são homens como nós e tiveram que lutar como nós para alcançar as virtudes.

3) VIVER OS SACRAMENTOS

a) CONFISSÃO – Vivê-la como um encontro íntimo com a misericórdia de Deus. Se soubéssemos que mistério está por trás do sacramento da penitência, seríamos assíduos clientes do sacerdote.
Confessar-nos quando caímos é importante, pois na confissão recebemos a graça perdida e voltamos a ser filhos amados de Deus. Quanto gozo terá sentido o jovem rico quando seu Pai o estreitou entre seus braços! (Lc 15).
Se não pecamos gravemente e somente temos pecados veniais, a confissão dá um aumento de graça e a força para ser fiel a nossos ideais cristãos. Além disso, a confissão é uma escola de humildade: sem Deus não podemos ser fiéis, não podemos ser castos, nem no matrimônio, nem na vida consagrada...

b) EUCARISTIA – Receber o Pão puríssimo descido do céu. Receber freqüentemente Cristo Eucarístico será um estímulo para manter o coração limpo de impurezas e pecados.

4) CULTIVAR AS VIRTUDES TEOLOGAIS, ESPECIALMENTE, A VIRTUDE DA ESPERANÇA

O que significa a esperança? É a certeza, que me vem da fé, de que Deus vai ser fiel às Suas promessas e me dará o céu. Diz São Paulo: "Os sofrimentos do tempo presente não são comparáveis com a glória que se há de manifestar em nós" (Rm 8, 18).

Se eu me esforço por viver castamente, ainda que seja difícil, ainda que signifique renunciar a meus "modus vivendi", ainda que signifique cruz e abnegação, estou disposto a lutar porque sei – tenho absoluta certeza – de que Jesus, que subiu ao céu para preparar para mim uma morada, está reservando para mim um tesouro no céu.

QUINTO CONSELHO: CUIDADO

Este é de sentido comum. Fugir das ocasiões de queda. De acordo com São Francisco de Sales (citado no livro de J. Tissot: "A arte de aproveitar nossas faltas"), há duas tentações que se vencem fugindo: as tentações contra a fé e as tentações contra a castidade. Se eu sei que determinadas companhias, que certos ambientes, que certas pessoas podem me fazer naufragar, para que me fazer de "inocente" e crer que não acontece nada? Isto, sem dúvida, somente se entende à luz dos primeiros princípios vistos acima: se eu aprecio o dom de um coração puro, se eu sei que tudo é relativo diante da eternidade, então vou agir conseqüentemente. Não vou me expor a perder a graça de Deus, que é o maior bem que possuo.

Concretamente:

1) CUIDAR DOS LUGARES

Sempre será melhor não freqüentar aqueles lugares onde sabemos que podem naufragar os propósitos de fidelidade. Há alguns lugares que, em si mesmos, são pecaminosos. Não se deve freqüentar espetáculos ou casas onde se fomente o vício. Isto é óbvio. Há outros lugares que serão perigosos, não em si mesmos, mas de acordo com a própria sensibilidade ou com a situação existencial na qual se vive. O critério fundamental para discernir é a honestidade: "Eu sei que ir a esta festa me causa problemas... pois não vou, faço outra coisa". Na medida do possível, teria que evitar esses ambientes, ainda que nem sempre seja possível.

2) CUIDAR DA VISTA

Tudo o que entra pelos olhos penetra no coração. Às vezes, nos angustiamos pelas tentações que nos assaltam e nos perguntamos por que não podemos ser fiéis e puros como anjos, por que temos que lutar contra as mesmas quedas, os mesmos pecados, etc. Então nos perguntemos: O que olho? Onde me levam meus olhos? Onde se fixa meu olhar quando vejo uma mulher ou um homem? Em que "região" da "geografia humana" meus olhos se detém? É necessário, portanto, disciplinar nosso olhar para fixá-lo naquilo que vale a pena. Concretamente:

a) EVITAR SEMPRE A PORNOGRAFIA

O corpo humano em si mesmo considerado é belo, seja feminino ou masculino, porque foi criado por Deus. Quando Deus criou Adão e Eva, o escritor sagrado escreve: "E DEUS VIU QUE ERA MUITO BOM". Um olho puro não põe maldade onde não há maldade. Ao contrário, a pornografia busca sempre a excitação das paixões, a maioria das vezes por motivos econômicos, utilizando as pessoas como objeto de deleite sexual. O corpo do "outro" é sempre e só sujeito, nunca objeto.

Hoje em dia, o acesso à pornografia é sumamente fácil: basta abrir a internet para se encontrar todo tipo de imagens eróticas. Mesmo quando se protege o acesso através de um filtro – que sempre é recomendável – é fácil que se colham imagens, às vezes em páginas que não têm nada a ver com erotismo. Em muitos portais, entre o amplo espectro de acessos, não pode faltar o link para "maiores de idade".

b) CUIDADO COM A VISTA NA CONTEMPLAÇÃO DE PESSOAS DE OUTRO SEXO

Há pessoas que, quando vêm passar uma mulher, fazem toda uma análise de geografia humana. Esta falta de controle leva depois a encher o coração de "toxinas espirituais", que criam uma mentalidade que se detém somente no corpo do outro, sem prestar atenção ao coração.

3) CUIDAR DO TATO

a) ATENÇÃO ÀS MANIFESTAÇÕES DE AFETO DEMASIADO ÍNTIMAS QUE PODERIAM LEVAR À FALTA DE CASTIDADE.

Vale aqui a expressão do Pe. Jorge Loring sobre a dança: certamente importa a intenção do sujeito, também a intenção da sujeita, porém, sobretudo, importa "como o sujeito sujeita a sujeita".

No matrimônio, há uma doação de alma e de corpo, pelo que o corpo já não pertence a si mesmo senão à outra pessoa. É uma doação mútua e uma posse determinada somente pelo amor e jamais pelo domínio, precisamente porque não se trata somente de um corpo, mas de um corpo espiritualizado. Por isso, "tocar" o corpo da outra pessoa, sobretudo suas partes íntimas, é abusar, pois esta possibilidade compete somente ao seu "dono", isto é, ao esposo ou à esposa.

b) O cuidado com o tato se refere também ao próprio corpo. Do ponto de vista da fé, meu corpo é templo do Espírito Santo e, pela graça, a Santíssima Trindade habita em meu corpo como num templo. O cristão não despreza o corpo e a sexualidade, mas, ao contrário. É tal a dignidade do meu corpo – templo da Santíssima Trindade – que tenho que me esmerar por mantê-lo digno e "ordenado". Tocar-se somente por motivos higiênicos, para asseio.

4) CUIDAR DAS PESSOAS

Não temos que ser ingênuos quanto à castidade. Nem todos pensam que a continência sexual é um bem desejável. Poder-se-ia dizer que somente uma mínima parte dos homens e das mulheres de hoje vêem com bons olhos a castidade. Quem quiser ser celibatário tem que lutar constantemente contra os ardis e enganos que outros porão à vivência da virtude. Haverá pessoas que rejeitarão nosso desejo de castidade porque este testemunho os fere profundamente. Portanto:

a) Atenção aos amigos que ridicularizam nossos propósitos e nos convidam a transgredir a norma moral, a ser "um caniço agitado pelo vento". É necessário ser firme nas próprias convicções e perseverar. Quando virem que somos inflexíveis, nos deixarão em paz.

b) Atenção para com aquela pessoa que cruzar meu caminho.
Se eu já sou casado, a castidade me levará a evitar o trato demasiado íntimo com quem não me comprometi por toda a vida. Já diz o refrão: "O homem é fogo, a mulher é estopa. O diabo chega e sopra". Simplesmente, não te aproximes do fogo.

Se sou consagrado, vale o mesmo. A ordem sacerdotal ou os votos religiosos não tiram as tendências, não convertem o homem em anjo: há que vigiar e não se expor à tentação, mantendo um trato afetivo pouco conveniente com pessoas do outro sexo. O sacerdote não deveria estar abraçado as mulheres, por muito "santo" que este seja e por muito piedosa que seja a "paroquiana", e o mesmo se diga da religiosa ou monja.

De uma relação puramente espiritual, pode-se chegar a situações lamentáveis por falta de cuidado. A recomendação de origem agostiniana vale para todos: "O amor espiritual conduz ao afetuoso, o amor afetuoso conduz ao obsequioso, o obsequioso ao familiar e o familiar conduz ao amor carnal".

5) CUIDAR DOS PENSAMENTOS

Finalmente, para proteger a castidade, tenho que velar sobre meus pensamentos. A imaginação é a "louca da casa" como dizia Santa Teresa, A divagação mental, a desordem interior, leva muitas vezes, infalivelmente, aos pensamentos impuros.

Pois bem, dado que vivemos numa sociedade na qual quase tudo nos fala de sexo, podemos sofrer os embates da cultura dominante e ser golpeados pelas imagens, lembranças, imaginações, desejos baixos, etc.

Às vezes, estes pensamentos poder ser muito insistentes. Aqui, a solução é a sugerida pouco mais atrás: estas tentações se vencem, fugindo delas. Mais que reprimir esses pensamentos, temos que distraí-los e ignorá-los. Acontece como quando nos assaltam as moscas num dia de calor. As moscas rondam pelo rosto, pelas mãos, e de novo no rosto, no nariz, na cabeça e de novo no rosto... Normalmente, uma pessoa não entra em crise existencial porque uma mosca o amola. Se o que faço ocupa minha atenção, espantarei as moscas sem lhes dar maior importância. Assim também quando nos assaltam as imaginações impuras: distraiamo-nos com algo que nos agrade. Muitas vezes, não será algo espiritual. Pode ser o futebol, o esporte, aplicar-se aos estudos, fazer equações matemáticas, etc. Seja o que for, contanto que seja honesto e nos distraia dos pensamentos impuros.

A castidade não é uma virtude de anjos, mas de homens. Não desnaturaliza a pessoa, mas canaliza as tendências para que o exercício das mesmas conduza ao verdadeiro bem do homem. A castidade não é uma virtude somente dos consagrados, mas um modo de viver de todo cristão e de todo homem pleno. Não é mais feliz quem rejeita a castidade, mas quem a vive de acordo com seu estado de vida. Vivida – às vezes com sofrimento – com sentido sobrenatural é fonte de amor e de entrega generosa. O homem casto, a mulher casta, quando vivem a castidade “cristã’, alcança a plenitude do amor, porque a castidade não é outra coisa senão o amor vivido com totalidade.

Vale a pena, pois, ser castos, seja no matrimônio, seja na vida consagrada, seja no noivado... A castidade é uma virtude que integra a sexualidade no grande horizonte do amor verdadeiro que tem a Deus como objeto e fim último, e que permite amar o próximo ordenadamente, como a si mesmo, e, ainda melhor: como Cristo nos amou.

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