O VALOR DA FRATERNIDADE
AUTORIA – Amma Maria Ângela de Melo Nicolleti
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Se há uma coisa que todo ser humano admira e valoriza é o espírito de fraternidade, o espírito de comunhão, o espírito de unidade. Também os marginais da sociedade sabem disso (do jeito deles, é claro!). A este valor até dão um nome bastante significativo: "brother".
Podemos dizer que a base de todo espírito fraterno é o querer bem, querer o bem do outro com quem convivemos ou não. E nisso, temos que aprender com a Palavra de Deus qual é o verdadeiro bem. Por ela, o Senhor nos adverte a tomarmos o cuidado de não confundir e chamar de bem o que é mal, e de chamar de mal o que é bem. Todos os que se aplicam na busca de se criar um clima verdadeiramente fraterno devem partir de uma consciência muito clara a este respeito. Saber o que é um bem ou um mal verdadeiros deve ser o interesse de todos os que se comprometem com o espírito de fraternidade.
Dentre esses bens que devemos procurar na construção da vida fraterna está o fato de que ela só pode ser construída na base daquilo que Jesus em pessoa nos ensinou: querer o bem do outro até dar a vida por ele, independente de quem seja, mereça ou não essa atitude nossa, quer retribua ou não. Trata-se, na verdade, de doação, de gratuidade, de desapego e despojamento humilde e bondoso. Muitas vezes, dever-se-á passar por bobo para salvar o espírito de fraternidade.
Manter em alta o que temos de melhor para colocar a serviço da comunidade, certamente, é fator importantíssimo para que os laços fraternos se estreitem cada vez mais. Um pecado estará sendo pisoteado: o egoísmo. Cameiro Matias diz que "a fraternidade é o grande sacramento da graça de Deus".
Hoje, todos nós vemos com nossos próprios olhos e apalpamos com as nossas mãos e experimentamos em nossa
própria pele quanto o mundo está se tornando cada vez mais competitivo e, com isso, jogando os homens uns contra os outros. É a chamada "lei da selva", "lei do mais forte", "lei do salve-se quem puder". Entre nós não seja assim (cfr Mt 20, 26). Só há uma arma poderosa e igualmente inofensiva – parece, mas não é contradição -: é a arma do amor pelo próximo, por aquele que está e é o "meu" próximo aqui e agora.
Vale e muito o conselho de Paulo Apóstolo dado pela sua própria vida: ele se fez tudo para todos para ganhar alguns. Somente o espírito cristão é capaz disso. Somente a comunhão e o seguimento de Jesus nos torna aptos a esse gesto que constrói.
Se os "fortes" se fizerem "fracos" com os fracos, todos serão "fracos" e aqui a graça de Deus pode e fará milagres de comunhão, pois "quando sou fraco..." (Rm 15, 1-2; 2 Cor 12, 9-10)
Daí se compreende porque e como a pessoa humana seja capaz de considerar o outro um verdadeiro "irmão", sem nenhum laço de parentesco ou de raça.
Sem esta dimensão primeira dos nossos VALORES, inútil será batalharmos pelos outros (obediência, comprometimento e organização). Como "membros uns dos outros" também são esses quatro lindos e preciosos valores a defendermos enquanto filhos desta Comunidade.
Quais seriam os valores que preservam a delicada e frágil estrutura de uma vida fraterna saudável? Podemos apontar alguns: a prática da justiça, o desapego de si, o compromisso com a verdade, a recusa à difamação e fraude, o respeito mútuo.
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