1.
INTRODUÇÃO À FORMAÇÃO INTEGRAL DO SACERDOTE
AUTORIA – Instituto Sacerdos
TRADUÇÃO LIVRE – Ammá Maria Ângela de Melo Nicolleti
FONTE – www.es.catholic.net
(NOTA – O que vem entre [] é acréscimo da tradutora).
Deus, com seu amor pertinaz, continua enviando operários à Sua messe.
As estatísticas nos falam de um novo impulso de
crescimento do número de vocações ao sacerdócio, sobretudo em alguns países.
Não podemos ficar indiferentes, ou passivamente
agradecidos ao Senhor por essa nova prova de Sua presença perenemente viva na Igreja.
Mas, o verdadeiro agradecimento se traduz em respostas. Há que se responder a Deus,
procurando formar o melhor possível a
esses jovens que Ele chama ao Seu serviço para
o bem das pessoas.
Vai crescendo na Igreja a consciência da necessidade de contar com sacerdotes santos e
profundamente preparados, que possam, de verdade, servir a todo o povo de Deus
em sua busca
de santidade e em seu empenho apostólico por anunciar o Evangelho.
Esta consciência vai crescendo, parece que de modo especial, precisamente entre os
leigos cristãos.
Durante o Sínodo dos Bispos dedicado aos leigos, há quase duas décadas, um leigo
pediu que setratasse profundamente do tema o sacerdócio. "Sem os presbíteros, que
podem chamar os leigos a realizar seu papel na Igreja e no mundo, que podem ajudar
na formação dos leigos ao apostolado, sustentando‐lhes em sua difícil vocação,
faltaria um testemunho essencial na vida da Igreja".
É evidente que não se trata simplesmente de que abundem os sacerdotes [não é mera
questão
de número]. Se eles hão de "chamar" os leigos
e "ajudar a sua formação", devem ser, antes, bem formados, de acordo com a vocação
que eles
mesmos receberam. Por isso, foi acolhido,
com interesse geral, o tema do
Sínodo seguinte,
celebrado em 1990 sobre A FORMAÇÃO DOS SACERDOTES.
Desde que se celebrou o Concílio Vticano II, prescreve‐se, em todas as partes, a
necessidade de se
renovar e melhorar os sistemas e programas formativos do presbítero
"nas circunstâncias atuais". As contínuas transformações do nosso mundo e da nossa
Igreja tocam também a figura do
sacerdote, e exigem uma atenta reflexão
sobre sua mais adequada preparação.
A Eclesiologia do Vaticano II projeta uma luz renovadora a respeito da preparação
do homem
chamado a exercer seu ministério com serviço
ao povo de Deus, à Igreja, que é o sacramento da salvação no mundo. Uma luz recolhida
também
em outros documentos conciliares e que, todavia, tem que iluminar muitas áreas.
O tema da formação sacerdotal compreende muitos variados e complexos aspectos.
Não somente
isso, mas se requer uma análise dos mesmos a partir de diversos pontos
de vista, diversas experiências e diferentes culturas. O diálogo aberto e franco, no qual
cada um traga seus
conhecimentos e
suas experiências neste campo, não pode senão
enriquecer a reflexão comum
da Igreja.
CONHECIMENTOS E EXPERIÊNCIAS: talvez, sobretudo, experiências. Porque se
trata de encontrar
caminhos para a ação, para a realização prática de alguns programas
formativos que sejam de
verdade efetivos. Isto nem sempre é fácil. Todos nós sentimos
alguma vez a dificuldade de explicar a própria experiência, que costuma ser rica em seus
detalhes e variada em sua aplicação às diversas circunstâncias de tempos e lugares.
Formar sacerdotes é uma arte que se realiza na prática de cada dia ao percorrer junto
com cada
aspirante ao sacerdócio o caminh que leva ao altar. Por isso, estes encontros
de formação, dirigido
para colaborar com quem tem que realizar, em primeira pessoa,
essa experiência viva à frente de
um
seminário ou centro de formação, apresenta,
sobretudo, reflexões e sugestões de índole prática e
vivencial. Os elementos doutrinais e teóricos que e encontram aqui estão em função da
prática pedagógica. São sua luz e sua força.
RENOVAR A FORMAÇÃO SACERDOTAL. Renovar não é, necessariamente, inovar.
As circunstâncias
mutantes do mundo e da Igreja pedem a revisão, a adaptação
e às vezes a mudança de certos enfoques e métodos. Tratar‐se‐á, sobretudo, de
elementos acidentais
ao próprio sacerdócio, porque, o que é
essencial, o que constitui a medula mesmo do sacerdócio ministerial,
instituído por Cristo, não pode mudar. Renovar é adaptar o acidental para que se realize
melhor
o essencial conforme as novas circunstâncias.
Neste sentido, a renovação não se opõe à tradição. Há algumas tradições que
já não são válidas
(ou talvez, nunca foram válidas de verdade).
Renovar consiste, algumas vezes, precisamente, em resgatar valores que haviam caído
no
esquecimento
pelo caminho. É o sentido, por exemplo, da atual
renovação
patrística. Não se trata
de voltar ao passado, mas de recuperar dela alguns elementos
que enriquecerão nosso presente e nosso futuro. No campo da formação sacerdotal há
tesouros que a milenária experiência da Igreja foi forjando, e que, às vezes, foram
sendo tirados pelas "beiradas" com muita rapidez. Renovar é também redescobrir essa
riqueza, purificá‐la de suas possíveis escórias e adaptá‐la ao momento atual.
São múltiplos os aspectos implicados na formação sacerdotal. Em certas ocasiões
convirá fixar‐se
especialmente em um ou em outro. Porém, é necessário também atender
à imagem global do
sacerdote.
O esforço por conseguir cada um desses aspectos
deveria ter sempre como horizonte a
formação integral do sacerdote católico.
Por outro lado, se quisermos que essa multiplicidade de elementos não leve
a uma fragmentação prejudicial, é necessário
centrar esse esforço todo em
torno de um núcleo essencial. Esse núcleo, tratando‐se da formação do sacerdote,
de um homem
que participa sacramental e existencialmente do sacerdócio eterno de
Cristo, não pode ser outro senão sua formação espiritual. Esquecer isto, ou tê‐lo
presente somente
na teoria, poderia conduzir a que se reduza a preparação do
presbítero a um currículo acadêmico
mais ou menos intenso. Dos nossos seminários
sairiam, então, intelectuais mais ou menos preparados, ou especialistas, mais ou menos
equipados de técnicas pastorais. Tudo isso é necessário, mas não é suficiente. Não é
o que pedem os leigos quando falam de "um testemunho essencial na
vida da Igreja".
UM TESTEMUNHO QUE BROTA DA PRÓPRIA NATUREZA DO SACERDÓCIO CATÓLICO.
Por isso,
parece conveniente dedicar o primeiro esforço destes nossos encontros
de formação
a refletir sobre a identidade e missão do saerdote.
A partir dessa visão, comentaremos alguns princípios educativos que podem ser
entendidos como
colunas ou princípios fundamentais da formação sacerdoal.
Sobre estes, haveria de se construir o edifício complexo da preparação integral do
presbítero,
que pode ser, de algum modo, seccionado em quatro áreas da formação:
formação espiritual, humana, intelectual e pastoral. Porém, tudo isso é somente
utopia se não se
contar com os homens que devem ajudar na realização desse projeto.
Como dizíamos antes, a estes se dirigem especialmente estas páginas. Há que se falar,
pois, do formador, sua figura e sua atuação.
Normalmente, a preparação desse aspirante se realiza num centro de formação,
dentro de um
determinado ambiente. Convém se perguntar como é possível conseguir que
seja de verdade um ambiente formativo.
Finalmente, a formação de um sacerdote é um processo lento e progressivo, que passa por
diversos momentos e períodos. É preciso saber adaptar todo o sistema educativo
de acordo com as diversas etapas da formação sacerdotal.
Talvez alguém possa pensar que se está apresentando um quadro demasiadamente
pretensioso,
um ideal demasiado ambicioso. O sacerdote de hoje vive imerso em situações
sociais, culturais e eclesiais difíceis e problemáticas. Às vezes, se encontra desorientado
como
num bosque hostil. Não sabe bem como ajudar aos demais em sua vida
cristã, e a ele mesmo custa levar o peso da sua consagração a Deus e ao apostolado.
Não se teria
que pensar, antes, em conformar‐se com salvar o que pode ser salvo?
Por outra parte, uma coisa é falar sobre a formação de sacerdotes, e outra é realizá‐la.
Em certas
ocasiões, parece uma tarefa impossível. Faltam formadores preparados,
programas concretos, recursos econômicos... e vocações. Pretender tanto, parece
irreal e, portanto, supérfluo.
Apesar disso, estamos convencidos de que, se trabalhamos com entusiasmo, pondo em jogo
todos os meios possíveis, pode‐se conseguir muito mais do que talvez esperamos.
É preciso, isso sim, ter idéias claras e tratar de realizá‐las com firmeza, sem concessões ao
desânimo.
O esforço vale a pena. É a melhor resposta ao amor de Deus que continua chamando
operários
para a Sua messe.
PARA A REFLEXÃO DE CADA UM:
1)
Que visão eu tenho da situação atual da formação nos seminários da Igreja?
Da nossa Diocese?
2)
Quais são as conquistas alcançadas nos últimos anos? Quais são as dificuldades
e os desafios?
3)
Concordo em que a formação requer um princípio unificador, um núcleo essencial?
Qual deve ser
esse princípio no caso da formação de um futuro sacerdote?
BIBLIOGRAFIA DE APOIO
PRINCIPAIS DOCUMENTOS DO MAGISTÉRIO
1.
Concílio Vaticano II: Decreto Optatam Totius SOBRE A FORMAÇÃO SACERDOTAL (1965).
2.
Concilio Vaticano II: Decreto Presbyterorum ordinis SOBRE O MINISTÉRIO E A VIDA DOS
PRESBÍTEROS (1965).
3.
Encíclica SACERDOTALIS COELIBATUS (Paulo VI, 1967).
4.
Constituição apostólica SAPIENTIA CHRISTIANA SOBRE AS UNIVERSIDADES
E FACULDADES
ECLESIÁSTICAS (1979).
5.
Código de Direito Canônico (1983) – SOBRE A FORMAÇÃO DOS CLÉRIGOS (cc. 232‐264).
SOBRE A ORDEM (cc. 1008‐1054).
6.
Exortação apostólica PASTORES DABO VOBIS ‐ SOBRE A FORMAÇÃO DOS SACERDOTES
NA SITUAÇÃO ATUAL (1992)
CONGREGAÇÃO PARA A EDUCAÇÃO CATÓLICA
1.
RATIO FUNDAMENTALIS INSTITUTIONIS SACERDOTALIS (1985) (em italiano).
2. ORIENTAÇÕES PARA OMUSO DAS COMPETÊNCIAS DA PSICOLOGIA NA
ADMISSÃO E NA FORMAÇÃO DOS
CANDIDATOS AO SACERDÓCIO (2008).
CONGREGAÇÃO PARA O CLERO
1. DIRETÓRIO PARA O MINISTÉRIO E A VIDA DOS PRESBÍTEROS (1994)
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